O bom Tank

Qualquer um pode ser tank, mas tankar não é para qualquer um. Isso é uma das maiores verdades […]

Qualquer um pode ser tank, mas tankar não é para qualquer um. Isso é uma das maiores verdades de World of Warcraft e pode ser comprovada diariamente. Basta fazer algumas dungeons de nível intermediário (entre 30 e 40) pra sentir na pele o que estou falando.

É notório que o papel do tank é o de ser o saco de pancadas do grupo. É ele que tem que segurar o dano dos inimigos e proteger o Healer e os DPS enquanto estes fazem o seu trabalho. Parece fácil, não? Mas isso é apenas a ponta do iceberg. Tankar não é ser uma esponja de porradas. Tankar é assumir o papel de guardião do seu grupo – uma responsabilidade que, infelizmente, nem todos os jogadores têm preparo e vontade de assumir.

 

Berserk

O que faz de um jogador um bom Tank não é apenas a maestria da sua classe ou do ambiente. Você pode ter todos os addons do universo, saber milimetricamente quando usar seus cooldowns e ter os melhores equipamentos hiper-mega-heróicos do jogo e, ainda assim, não ser um bom Tank. Você pode saber as dungeons como a palma da mão, chamar o boss pelo nome de solteiro da mão e até tankar de ré, que ainda assim, não será um bom Tank. Você só será um bom Tank se o grupo realmente confiar em você.

Perceba que isso não tem nada a ver com a sua confiança em seu papel. Tem a ver com o que os outros vêem em você. Autoconfiança pode ser um tiro pela culatra, pois você depende do grupo, assim como eles dependem de você. De nada adianta puxar uma sala inteira e fazer o seu trabalho direitinho se o Healer tem pouca mana e um DPS está skinnando na sala anterior. Wipe e drama na certa.

Confiança não é algo que se ganha de uma hora pra outra. Em uma guilda, por exemplo, você será testado durante alguns encontros antes de ser considerado um bom jogador, e outros encontros mais para ser tomado como um jogador de confiança. O que dizer, então, de uma masmorra aleatória? A meu ver, essa é a melhor oportunidade para reconhecer um bom Tank. Até o final da masmorra, se ele ganhar a sua confiança, você vai querê-lo novamente no seu grupo. É simples assim.

 

Julgamentos do Justo

Como bom altoholic que sou, me considero um tanto versado em masmorras, principalmente as do vanilla e TBC. Entre episódios de caos e bonança, algumas coisas aprendi sobre como ser um bom tank.

  • Ao chegar e ao sair de um grupo, seja educado e cumprimente. De preferência, em inglês e em português. Lembre-se que você pode estar jogando em um servidor BR, mas as masmorras reúnem jogadores de toda América (Norte, Latina e Sul).
  • Sempre que possível, pesquise sobre os encontros. Isso é válido, principalmente, para masmorras heróicas e raids, onde as mecânicas das lutas são mais complicadas.
  • Antes de um boss, pergunte se todos conhecem a luta. Caso alguém não conheça, explique. Caso você não conheça a luta, avise e peça dicas. Se ninguém conhecer, peça um tempinho e vá no Google.
  • Tente manter os inimigos de costas para o seu grupo. Esta é sempre a melhor posição para ajudar os DPS – não é possível bloquear (block) ou aparar (parry) de costas. Por este mesmo motivo, você NÃO deve ficar de costas para os inimigos.
  • Depois de cada luta, dê uma olhada no HP e Mana do grupo. Veja se os pets do hunter e do warlock estão vivos. Dê a dica se alguém precisar se recuperar.
  • Antes de puxar um grupo de inimigos, certifique-se de que todo o seu grupo está presente. E inteiro.
  • Se a quantidade de inimigos for grande ou se achar que a luta pode ser meio complicada, peça para o grupo usar suas habilidades de controle (crowd control ou CC). E tenha cuidado para não atacar os inimigos controlados.
  • Não seja um ninja. E se alguém do grupo ninjar alguma coisa, logo que possível, pare e tente corrigir o problema. Conversar é sempre a melhor opção. Mas se o meliante repetir a infração, abra votação para chutá-lo do grupo.
  • Se rolar um wipe, não gaste tempo batendo boca para achar o culpado. Aproveite o corpse run para combinar o que será feito assim que todos voltarem.
  • Se sua classe tiver a habilidade de ressucitar um colega de grupo, faça isso. Nem todos sabem como chegar às masmorras (localizador de masmorras, um mal necessário). Mas evite usar a habilidade de ressurreição em massa da guilda logo de cara.
  • Se algum jogador do grupo estiver agindo como um babaca, peça, educadamente, que pare de se comportar assim. Se a babaquice continuar, analise a situação. Você pode abrir votação para tirá-lo do grupo, seguir adiante mesmo assim ou, ainda, deixar o grupo. Caso o grupo se sentir incomodado, esteja certo de que você não será o único a reclamar. Acima de tudo, mantenha a calma e não dê piti.
  • Saiba pedir desculpas. Se você fez algo que não deu muito certo, ou acha que fez, peça desculpas. Sem frescura, apenas reconheça que poderia ter feito melhor. Um simples ‘foi mal, da próxima vez faço assim-ou-assado’ pode evitar toneladas de drama inútil.

 

Último recurso

Lembre-se: tanks são escassos. Isso lhe dá uma regalias, como acesso instantâneo a massmorras aleatórias e um maior peso nos debates do grupo. No entanto, isso não lhe dá o direito de ser um babaca. Se há poucos tanks no game é porque poucos realmente têm vocação para o papel. E ser um pulha é um atestado de incompatibilidade com o papel de Tank.

Se você está montando seu primeiro personagem em World of Warcraft, por favor, não adote uma especialização de Tank. Comece por uma spec DPS, será muito mais divertido. Não leve a mal, você pode ter as ferramentas para ser um excelente Tank, mas, a menos que tenha mesmo vontade de pesquisar e de aprender com os erros, tankar sem experiência prévia por ser um fardo bem pesado – e nada divertido.

Por fim, uma dica: visualize o Tank como aquele guerreiro das clássicas histórias de cavalaria, que dá sua vida pelo bem maior – por uma causa, pela donzela, pelo reino. Um lutador honrado e altruísta. Se você se vê na pele de um personagem assim, então vista já sua armadura. Certamente há um grupo lhe esperando.

 

 

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Mais pra Aliança do que pra Horda, mais pra morto-vivo do que pra humano, sempre brigando contra o 'altoholicismo'